• Respiração – by Bruno Sousa

    A dura verdade é: você não sabe respirar direito e, pior, já respirou melhor, mas esqueceu o jeito. O bom é que dá pra aprender tudo de novo, é possível se reeducar para passar a explorar melhorar a capacidade respiratória e aumentá-la progressivamente.
    E isso não é coisa de mergulhador: a respiração tem um efeito direto e imediato sobre seu corpo físico, seus níveis de energia e seus estados emocionais e mentais.
    Esse poder de nos influenciar deriva de um fato básico, mas do qual não nos damos conta: nosso principal combustível é o oxigênio. Em situações extremas, podemos passar algumas semanas sem alimento e alguns dias sem água – mas na falta de oxigênio, só duramos poucos minutos.
    Observe sua respiração neste exato instante. Qual parte do seu tronco se movimenta? Muito provavelmente, só o seu peito se mexe. Fomos ensinados a fazer isso. Barriga para dentro, peito estufado. Isso é ótimo quando se tem 15 anos e quer mostrar como seu tórax é gigante e poderoso, mas só faz com que você respire pouco melhor que o Darth Vader.
    Agora, procure um bebê e observe-o respirando: o abdômen se projeta para frente e volta. Com isso, uma quantidade muito maior de ar é levada para dentro do corpo. Em outras palavras: nascemos respirando bem, e desaprendemos com o tempo.
    A respiração completa é composta por três partes. Siga o roteiro abaixo para executá-la. A inspiração e expiração são sempre silenciosas e pelas narinas.

    Respiração abdominal
    Treine primeiro a respiração abdominal, ou baixa.
    Sentado ou deitado, apoie uma mão no abdômen e outra um pouco abaixo do coração. Inspire profundamente, procurando projetar o abdômen para frente, sem movimentar as costelas. Quando soltar o ar pelas narinas, o abdômen volta à sua posição inicial.
    Faça alguns ciclos assim: ar para dentro, barriga para fora; ar para fora; barriga para dentro. Essa é a parte mais profunda das três, e responde por boa parcela da sua capacidade respiratória.

    Respiração intercostal
    Passe agora à respiração intercostal, ou média. Apoie as mãos nas costelas, com a ponta dos dedos médios se tocando quando estiver com os pulmões vazios. Inspire, afastando as costelas lateralmente, fazendo com que os dedos se afastem.
    Quando soltar o ar, os dedos se tocam novamente. Repita por alguns ciclos, evitando que o abdômen e o alto do tórax se movimentem.

    Respiração torácica
    Treine então a respiração torácica, ou alta. Mantenha uma mão na região do coração e a outra no alto do peito. Inspire procurando movimentar o peito para o alto e para frente, sem movimentar a região abdominal e a região intercostal.
    Esta respiração é mais curta, e talvez seja mais difícil isolar o movimento. Faça alguns ciclos treinando essa região.
    Por fim, junte os movimentos para realizar a respiração completa.
    Em uma só inspiração, você vai projetar o abdômen para frente primeiro, as costelas para o lado na sequência e o peito para o alto e para frente no fim, nessa ordem. Quando expirar, inverta o sentido: esvazie primeiro a parte alta, depois a parte média e por fim a parte baixa. Repita por algumas vezes, para acostumar-se com o movimento.
    Pronto. Esta é a mecânica básica.
    Metrô, banho, correndo, contemplando uma experiência… A ideia é que, com o tempo, a respiração completa se torne o seu padrão, que a faça de maneira automática. Como aviso, especialmente no começo, tome cuidado ao inspirar grandes quantidades de ar quando estiver em pé. É comum sentir uma leve tontura quando absorvemos mais oxigênio do que estamos acostumados.
    Com esse tipo de respiração, utilizamos todo o volume dos pulmões para captar ar e deixamos de nos restringir à parte alta do tórax. Agora começa o verdadeiro desafio: procure respirar dessa forma a maior quantidade de tempo que puder. Sempre que se lembrar de respirar, faça a respiração completa.
    Reaprender a respirar é ter de volta uma autonomia que só se tinha quando criança, uma potência juvenil em corpo de gente grande.

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